João Pessoa - 441 anos: desafios ambientais em uma nova metrópole
- Saulo Vital
- 5 de ago.
- 2 min de leitura
Como pessoense, me alegro pelos 449 anos de minha cidade natal, mas, em meio a essa alegria, urge uma preocupação: João Pessoa tem "crescido", mas infelizmente a vejo em um caminho semelhante ao das demais capitais brasileiras, que seguem uma lógica urbana baseada na desigualdade; e esse panorama se reflete no espaço, traduzido no que o célebre geógrafo Milton Santos denominava como desigualdades socioespaciais.
Assim como nas outras cidades, o que tem ditado o ritmo é a lógica do capital e da especulação.
Eu nasci no subúrbio de João Pessoa, no ano de 1985. Naquele ano, o bairro de Cruz das Armas, um dos mais tradicionais e antigos da nossa cidade (do qual tenho orgulho de ser filho), contava com uma infraestrutura antiga e, em alguns pontos, precária; sobretudo nas várzeas do Rio Jaguaribe, onde brinquei e cresci.
Hoje, vejo uma João Pessoa diferente, cheia de arranha-céus. Nos anos 1990, lembro-me de que apanhávamos o ônibus da antiga SETUSA e, depois, da Marcos da Silva nos finais de semana para a praia de Cabo Branco. Naquele tempo, nosso litoral era completamente diferente. Claro, as coisas mudam! Mas precisam mudar para melhor.
E não é o que vejo hoje. Trânsito cada vez pior, a degradação ambiental avançando, problemas no gerenciamento do esgoto urbano e uma população cada vez mais segregada ante a chegada de grandes resorts, que com certeza só servirão aos mais ricos. Qual o pobre que terá condições de acessar um espaço dessa natureza?
O caminho inverso e necessário passa por investir no que é coletivo. Precisamos priorizar a criação e a recuperação de espaços públicos democratizados, a conservação efetiva da nossa natureza e a garantia de áreas de convivência que aproximem as pessoas. É no espaço público bem cuidado e acessível a todos que construímos uma cidade verdadeiramente igualitária, inclusiva e com qualidade de vida para a totalidade dos seus cidadãos, e não apenas para uma minoria privilegiada.
Além de promover a segregação social, a lógica atual também tem destruído nossa Mata Atlântica e nossas falésias com empreendimentos surreais, a exemplo do Mundo dos Dinos, uma sacada de "jênio" empreendida por alguém que pouco conhece da nossa diversidade ambiental, natural e histórica.
Hoje, desenvolvimento não simboliza mais asfalto, de modo que precisamos mudar esse rumo rapidamente. Caso contrário, as consequências climáticas serão as piores possíveis.



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